São Zygmunt Szczęsny Feliński

Bispo · 1822-1895

Arcebispo de Varsóvia, exilado às margens do Volga, fundador da Família de Maria

São Zygmunt Szczęsny Feliński foi arcebispo de Varsóvia, exilado no interior da Rússia e fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria. Sua memória é celebrada em 17 de setembro.

Nasceu em 1º de novembro de 1822, em Wojutyn, na Volínia, em uma família nobre e religiosa, filho de Gerard Feliński e Ewa Wendorff. Em 1838, cinco anos após a morte do pai, os russos deportaram sua mãe para a Sibéria por sua atividade patriótica, também em favor dos camponeses. Zygmunt estudou matemática em Moscou e, a partir de 1847, literatura em Paris, onde foi amigo do poeta Juliusz Słowacki. Em 1848 participou da fracassada insurreição no Grão-Ducado de Posen.

Em 1851 entrou no seminário de Jitomir e depois estudou na Academia Eclesiástica de São Petersburgo. Foi ordenado sacerdote em 8 de setembro de 1855. Exerceu o ministério pastoral em São Petersburgo e depois foi diretor espiritual e professor de filosofia na Academia. Em 1857 fundou em São Petersburgo a Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria.

Em 6 de janeiro de 1862, o papa Pio IX o nomeou arcebispo de Varsóvia. Chegou a Varsóvia em 9 de fevereiro, quando, depois da sangrenta repressão dos protestos poloneses de 1861, as igrejas da cidade estavam fechadas. Pouco depois voltou a consagrar a catedral, profanada pelo exército, e reabriu as igrejas. Parte dos fiéis, e até do clero, o recebeu com desconfiança, porque as autoridades espalhavam boatos sobre sua colaboração com o governo. Visitou as paróquias, trabalhou pela libertação dos sacerdotes presos e abriu um orfanato dirigido pelas Irmãs da Família de Maria.

Advertia contra o derramamento inútil de sangue, mas quando em 1863 estourou a Insurreição de Janeiro e seguiu-se uma sangrenta repressão, em sinal de protesto renunciou ao Conselho de Estado e, em 15 de março, exortou por carta o czar Alexandre II a pôr fim à violência. Protestou também contra o enforcamento do capelão dos insurgentes, o capuchinho Agrypin Konarski. Em 14 de junho de 1863 foi deportado para Iaroslavl, às margens do Volga, onde passou vinte anos isolado de sua diocese. Ajudou seus companheiros de exílio, sobretudo os sacerdotes, e construiu ali a primeira igreja católica.

Libertado em 1883 graças à intervenção da Santa Sé, foi nomeado por Leão XIII arcebispo titular de Tarso, mas não lhe foi permitido morar em Varsóvia. Passou seus últimos doze anos em Dźwiniaczka, na Galícia austríaca, como capelão da capela de uma casa senhorial, entre camponeses poloneses e ucranianos. Às próprias custas abriu na aldeia uma escola e um jardim de infância e construiu uma igreja e um convento para as irmãs. Bento XVI lembrou sua oração: “Ó Deus, não nos protejais das tribulações e das preocupações deste mundo... apenas multiplicai o amor em nossos corações”.

Morreu em Cracóvia em 17 de setembro de 1895. Desde 1921 seus restos mortais repousam na arquicatedral de Varsóvia. João Paulo II o beatificou em Cracóvia em 18 de agosto de 2002, e Bento XVI o canonizou em 11 de outubro de 2009.