São Servácio
Bispo
Bispo de Tongeren, defensor da fé de Niceia, padroeiro de Maastricht
São Servácio foi bispo de Tongeren, na província romana da Gália Bélgica, no território da atual Bélgica, e viveu no século IV. É o primeiro bispo dessa cidade cuja existência é confirmada pelas fontes históricas. Nas controvérsias sobre a divindade de Cristo, defendeu a fé professada no Concílio de Niceia. A Igreja o recorda em 13 de maio.
Nada se sabe com certeza sobre sua origem e sua juventude. Lendas medievais, atestadas a partir do século XI, fizeram dele um armênio e até um parente distante de Jesus, mas elas não encontram apoio nas fontes de sua época. O que é certo vem de autores contemporâneos a ele e diz respeito aos sínodos dos quais participou.
Viveu numa época em que a Igreja estava dividida pela doutrina de Ário, que negava ao Filho de Deus a igualdade com o Pai. Servácio se pôs ao lado de Santo Atanásio. Na lista dos bispos da Gália que, segundo Atanásio, assinaram as decisões do sínodo de Sárdica, a atual Sófia, por volta de 343, aparece um nome identificado com Servácio. O cronista Sulpício Severo o contou, junto com Febádio de Agen, entre os mais firmes defensores da verdadeira fé no sínodo de Rímini, em 359. Quando a assembleia finalmente aceitou um compromisso, os dois redigiram profissões de fé que condenavam Ário, mas seus adversários acrescentaram a elas uma fórmula ambígua.
Gregório de Tours, que escrevia no século VI, fala de um bispo de Tongeren chamado Aravatius, identificado com Servácio. Segundo esse relato, o bispo, prevendo uma invasão da Gália pelos hunos, foi a Roma e durante muitos dias rezou e jejuou junto ao túmulo de São Pedro. Ali teria sabido que a desgraça não podia ser evitada e que ele mesmo devia se preparar para a morte. Ao voltar, foi para Maastricht, onde adoeceu de febre e morreu. O relato, porém, liga um bispo do século IV à invasão dos hunos de meados do século V, por isso os historiadores o consideram em grande parte lendário. A tradição indica 384 como o ano de sua morte.
Sobre seu túmulo em Maastricht já se construíam igrejas no século VI; delas surgiu a atual Basílica de São Servácio, onde repousam suas relíquias. É venerado como santo desde a Antiguidade, sem uma canonização formal, e é padroeiro de Maastricht. Em 14 de maio de 1985, João Paulo II rezou junto ao seu túmulo, chamou-o de primeiro pregador do Evangelho naquela região e elevou a igreja à dignidade de basílica menor.
Na tradição popular da Polônia e dos países de língua alemã, seu nome é muito conhecido. Junto com Pancrácio e Bonifácio, faz parte dos chamados santos do gelo: os dias 12, 13 e 14 de maio são tidos como o tempo das últimas geadas da primavera.