São Paulino de Nola

Bispo · † 431

Bispo de Nola, poeta, antes senador e governador da Campânia

São Paulino de Nola foi um senador e alto funcionário romano que, junto com a esposa, deixou riquezas e carreira por Cristo, se estabeleceu junto ao túmulo de São Félix em Nola, na Campânia, e se tornou bispo dessa cidade. Suas cartas e seus poemas lhe deram fama de poeta cristão. A Igreja o recorda em 22 de junho.

Nasceu por volta de 353 em Bordeaux, na Aquitânia, em uma família rica e respeitada. Formou-se com o poeta Ausônio. Iniciou cedo a carreira pública: foi senador e depois governou a província da Campânia. Nessa época conheceu o santuário do mártir São Félix, na atual Cimitile, perto de Nola, e, tocado pela fé dos peregrinos, mandou construir ali um albergue para os pobres.

Algum tempo depois deixou o cargo e voltou para a Gália. Deveu a cura de uma doença dos olhos a São Martinho de Tours. Recebeu o batismo em sua cidade natal das mãos do bispo Delfino de Bordeaux. Sua esposa era Terásia, uma piedosa nobre de Barcelona. O único filho do casal morreu poucos dias depois de nascer. Essa perda levou os esposos a uma vida ascética: de comum acordo venderam seus bens, distribuíram o dinheiro aos pobres e passaram a viver como irmão e irmã.

Paulino se estabeleceu com Terásia na Espanha. Em Barcelona, no dia de Natal, os fiéis pediram sua ordenação, e o bispo o ordenou sacerdote apesar de sua resistência. Em 395 os esposos se mudaram para Nola e se estabeleceram junto ao túmulo de São Félix. Ali, com alguns companheiros, levaram uma vida monástica de pobreza e oração, cuidando dos peregrinos e dos pobres, que Paulino chamava de seus patronos. Ampliou o santuário com uma nova basílica, cujas pinturas com inscrições ensinavam aos peregrinos a história da salvação. Todos os anos, para a festa de São Félix, compunha um poema em sua honra.

Correspondeu-se com grandes figuras da Igreja de seu tempo, entre elas Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo e Sulpício Severo. Santo Agostinho aconselhava em uma de suas cartas: “Vá para a Campânia, aprenda com Paulino.” Por volta de 409, com a morte do bispo de Nola, os fiéis escolheram Paulino como seu sucessor. Quando os godos devastavam a Campânia, deu tudo o que tinha para alimentar os pobres e resgatar os prisioneiros. São Gregório Magno transmitiu o relato de que Paulino teria até se entregado como escravo em troca do filho de uma viúva; a veracidade desse episódio, no entanto, é discutida.

Morreu em Nola em 22 de junho de 431. Foi sepultado junto ao túmulo de São Félix. Na época dos lombardos, suas relíquias foram levadas para Benevento e, sob o imperador Otão III, para Roma, para a basílica de São Bartolomeu na Ilha Tiberina. Em 1908 Pio X consentiu em seu retorno a Nola; hoje repousam na catedral da cidade.

Paulino é venerado como santo desde a Antiguidade, antes de existir o processo de canonização. São João Paulo II rezou diante de suas relíquias em Nola em 1992, e Bento XVI lhe dedicou uma catequese na audiência geral de 12 de dezembro de 2007.