São Leão IX

Papa · 1002-1054

Papa, bispo de Toul, reformador da Igreja, adversário da simonia

São Leão IX, antes Bruno de Egisheim, foi bispo de Toul durante vinte e cinco anos e papa a partir de 1049. Percorreu a Itália, a França e a Alemanha convocando sínodos contra a simonia e deu início à grande reforma da Igreja do século XI. A Igreja o recorda em 19 de abril.

Nasceu em 21 de junho de 1002 na Alsácia, na família dos condes de Egisheim, aparentada com Conrado II, o futuro imperador. Aos cinco anos foi confiado à escola da catedral de Toul. Ali se tornou cônego e diácono, e depois serviu na capela da corte de Conrado. Em 1026 o clero de Toul o elegeu bispo, e em 9 de setembro de 1027 ele recebeu a ordenação episcopal. Nessa diocese de fronteira, renovou com paciência a vida do clero e dos mosteiros.

Em 1048 morreu o papa Dâmaso II, e o imperador Henrique III indicou Bruno como seu sucessor. O bispo aceitou com a condição de ser eleito pelo clero e pelo povo de Roma. Entrou na cidade descalço, em trajes de peregrino, e depois da eleição tomou o nome de Leão e, em 12 de fevereiro de 1049, assumiu a Sé de Pedro. Chamou para junto de si homens dedicados à renovação da Igreja, entre eles o monge Humberto de Moyenmoutier e Hildebrando, o futuro papa Gregório VII.

Apenas dois meses depois convocou em Roma um sínodo que condenou a simonia, isto é, o comércio dos cargos eclesiásticos, e a violação do celibato pelos clérigos. Depois se pôs a caminho para realizar a reforma pessoalmente. Presidiu sínodos em Pavia, Reims e Mogúncia e pediu contas aos bispos pela simonia. Em cinco anos visitou as Igrejas da França até a atual Eslováquia e da Lorena até o sul da Itália.

No sul da Itália, os normandos ocupavam cada vez mais terras e oprimiam a população. Quando as negociações fracassaram, Leão partiu ele mesmo com um exército contra eles em 1053. Em junho, perto de Civitate, suas tropas foram derrotadas, e o papa se entregou aos vencedores. Os normandos o trataram com respeito, mas durante muitos meses ele permaneceu como prisioneiro deles em Benevento. De lá, em janeiro de 1054, enviou a Constantinopla legados chefiados pelo cardeal Humberto, por causa da controvérsia com o patriarca Miguel Cerulário.

Na primavera de 1054 o papa, gravemente doente, fez-se levar a Roma. Ali morreu em 19 de abril e foi sepultado junto à Basílica de São Pedro. Seus legados ainda estavam em Constantinopla. Em 16 de julho, três meses depois da morte de Leão, depositaram sobre o altar de Santa Sofia uma bula de excomunhão contra o patriarca, e o patriarca com seu sínodo respondeu excomungando os legados. Em 7 de dezembro de 1965, o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I lamentaram juntos essas sentenças e as apagaram da memória da Igreja.

Junto ao túmulo de Leão logo se começou a falar de curas. Em 1087 o papa Vítor III mandou trasladar seu corpo para o interior da basílica e reconheceu seu culto. É especialmente venerado na Alsácia, na Lorena e em Benevento.