
São João Eudes
Sacerdote · 1601-1680
Presbítero, fundador dos eudistas, apóstolo do culto aos Corações de Jesus e Maria
São João Eudes foi um sacerdote da Normandia, incansável pregador de missões populares, fundador de seminários e de duas congregações e fervoroso promotor da devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. A Igreja o celebra em 19 de agosto, aniversário de sua morte.
Nasceu em 14 de novembro de 1601, na aldeia de Ri, na Normandia, em uma família camponesa. Ainda menino fez voto de castidade e, a partir de 1615, estudou no colégio dos jesuítas em Caen. Quando os pais quiseram casá-lo, recusou e, em 1623, entrou no Oratório fundado em Paris por Pierre de Bérulle. Foi ordenado sacerdote em 20 de dezembro de 1625.
Seus primeiros anos de sacerdócio foram marcados pela peste. Em 1627 voltou à sua terra natal para servir os doentes da peste e, quando em 1631 a epidemia atingiu Caen, cuidou dos contagiados e lhes administrou os sacramentos. Para não contagiar seus irmãos, passava as noites em um barril de madeira em um prado. Ele próprio adoeceu gravemente e esteve perto da morte. A partir de 1632 pregou missões populares na Normandia e em outras regiões da França; segundo seus biógrafos, pregou cerca de cento e dez. Jean-Jacques Olier, fundador dos sulpicianos, chamou-o de prodígio de seu século.
Nas missões conheceu a situação das mulheres forçadas à prostituição e, em 1641, abriu em Caen uma casa para as que desejavam mudar de vida. Dessa obra nasceu a Ordem feminina de Nossa Senhora da Caridade, aprovada em 1666 por Alexandre VII, e dela, no século XIX, as Irmãs do Bom Pastor. Convenceu-se também de que os frutos das missões logo se perdem quando faltam sacerdotes bem formados. Com dor deixou o Oratório e, em 25 de março de 1643, fundou em Caen a Congregação de Jesus e Maria, uma comunidade de sacerdotes dedicados à formação do clero, chamados mais tarde eudistas. Ali abriu o primeiro seminário, e outros surgiram, entre outros lugares, em Coutances, Lisieux, Rouen, Évreux e Rennes.
Toda a sua obra era unida pela devoção ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria. Compôs em sua honra textos da Missa e do Ofício: em 8 de fevereiro de 1648 celebrou-se pela primeira vez, na catedral de Autun, a festa do Coração de Maria, e em 1672 determinou que em todas as casas de sua congregação se celebrasse a festa do Sagrado Coração de Jesus, antes mesmo que santa Margarida Maria Alacoque recebesse suas revelações. Por isso é chamado pai, doutor e apóstolo do culto litúrgico dos Sagrados Corações. Escreveu muitas obras espirituais, entre elas O Reino de Jesus e O Coração admirável da Santíssima Mãe de Deus.
Esgotado pelo trabalho e pela doença, renunciou ao cargo de superior; seu sucessor foi eleito em junho de 1680. Morreu em Caen em 19 de agosto de 1680, invocando os nomes de Jesus e de Maria.
Em 1903 Leão XIII reconheceu suas virtudes heroicas. Pio X o beatificou em 25 de abril de 1909, e Pio XI o canonizou em 31 de maio de 1925, solenidade de Pentecostes, junto com são João Maria Vianney. Em 1928 Pio XI estendeu sua memória a toda a Igreja.