São Jerônimo

Sacerdote · † 420

Presbítero e doutor da Igreja, tradutor da Bíblia, monge em Belém

São Jerônimo foi presbítero, monge e um dos maiores estudiosos da Igreja antiga. Dedicou toda a vida à Sagrada Escritura, e suas traduções se tornaram a base da Vulgata, a Bíblia latina da Igreja do Ocidente. A Igreja o recorda em 30 de setembro, aniversário de sua morte.

Nasceu numa família cristã em Estridão, na fronteira entre a Dalmácia e a Panônia. O ano de seu nascimento não é certo; indica-se por volta de 345 ou 347. Formou-se em Roma e ali recebeu o batismo. Quando jovem, sentiu-se atraído pela vida mundana, do que depois se arrependeu amargamente. Escolheu o caminho da ascese: em Tréveris conheceu a vida monástica e em Aquileia viveu em comunidade com alguns amigos.

Depois partiu para o Oriente e por volta de 374 se estabeleceu como eremita no deserto de Cálcis, na Síria. Ali aperfeiçoou o grego e aprendeu o hebraico com um judeu convertido. Mais tarde descreveu uma visão na qual se viu diante de Deus e ouviu: “Ciceronianus es, non Christianus” (“Você é ciceroniano, não cristão”). Em Antioquia o bispo Paulino o ordenou sacerdote, e em Constantinopla conheceu são Gregório de Nazianzo.

Em 382 chegou a Roma. O papa Dâmaso fez dele seu secretário e conselheiro e o incentivou a revisar a tradução latina da Bíblia; ele começou pelos Evangelhos e pelos Salmos. Um grupo de nobres romanas, entre elas Marcela, Paula e sua filha Eustóquio, o escolheu como guia no estudo da Sagrada Escritura; elas aprenderam grego e hebraico. Após a morte de Dâmaso, ciúmes e incompreensões o obrigaram a deixar Roma.

Em 386 se estabeleceu em Belém. Graças à generosidade de Paula surgiram ali, perto da gruta da Natividade, um mosteiro masculino e um feminino, além de uma hospedaria para peregrinos. Jerônimo rezava, guiava os monges, acolhia os peregrinos e trabalhava na Bíblia. Traduziu o Antigo Testamento do original hebraico. Escreveu comentários bíblicos, cartas e a obra Sobre os homens ilustres. Sua frase “Ignoratio Scripturarum ignoratio Christi est” (“A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”) foi citada pelo Concílio Vaticano II.

Bento XVI falou abertamente de seu caráter difícil e irascível, e o papa Francisco da violência verbal que ele se permitia na defesa da verdade. Participou de duras controvérsias: rompeu com Rufino de Aquileia, amigo de juventude, por causa do ensinamento de Orígenes, e mais tarde se opôs aos pelagianos. Manteve correspondência com santo Agostinho e permaneceu sempre ligado à Sé de Pedro. Morreu em Belém em 30 de setembro de 420; algumas fontes indicam o ano de 419.

É venerado desde a Antiguidade, e o dia de sua memória já estava registrado no século V ou VI. É um dos quatro grandes doutores da Igreja do Ocidente, ao lado de Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno. Bento XV lhe dedicou em 1920 a encíclica Spiritus Paraclitus, e o papa Francisco, no XVI centenário de sua morte, a carta apostólica Scripturae Sacrae affectus.