
São Charles de Foucauld
Sacerdote · 1858-1916
Presbítero, eremita no Saara, antigo oficial e explorador
São Charles de Foucauld, chamado irmão Carlos de Jesus, foi um oficial e explorador francês que, depois de anos de descrença, reencontrou Deus, se tornou sacerdote e se estabeleceu como eremita entre os tuaregues no Saara. Queria ser irmão de todas as pessoas e anunciar o Evangelho com toda a sua vida. A Igreja o recorda em 1º de dezembro, dia de sua morte.
Nasceu em 15 de setembro de 1858 em Estrasburgo, numa família profundamente cristã. Aos seis anos perdeu o pai e a mãe; junto com a irmã Marie, foi criado pelo avô materno. Na adolescência perdeu a fé. Em 1876 ingressou na escola militar de Saint-Cyr, aos vinte anos se tornou oficial e depois serviu na Argélia.
Depois de alguns anos deixou o exército e, em 1883-1884, percorreu o Marrocos, então fechado aos europeus. A fé dos muçulmanos despertou nele a pergunta sobre Deus. Rezava: “Meu Deus, se existis, fazei que vos conheça”. No fim de outubro de 1886, na igreja de Santo Agostinho, em Paris, confessou-se com o padre Huvelin e recebeu a sagrada Comunhão. Escreveu depois que, assim que acreditou em Deus, compreendeu que só podia viver para Ele.
Uma peregrinação à Terra Santa lhe revelou a sua vocação: imitar Jesus na vida oculta de Nazaré. Em 1890 entrou para os trapistas e passou sete anos em mosteiros na França e na Síria. Buscando uma pobreza ainda maior, deixou a ordem e se estabeleceu em Nazaré como criado das clarissas. Ali passava longas horas em adoração ao Santíssimo Sacramento e na meditação do Evangelho. De seus escritos vem a oração do abandono, na qual ele se entrega ao Pai e aceita tudo o que Ele quiser fazer dele.
Foi ordenado sacerdote em 9 de junho de 1901 em Viviers e nesse mesmo ano partiu para o Saara. Estabeleceu-se primeiro no oásis de Beni Abbès, na Argélia, perto da fronteira com o Marrocos. Abriu o seu eremitério a todos os que batiam à porta. Queria que cristãos, muçulmanos e judeus vissem nele o seu irmão, o “irmão universal”. Opôs-se à escravidão que ali encontrou.
Em 1905 foi mais para o interior do deserto, para Tamanrasset, nas montanhas do Hoggar, entre os tuaregues. Aprendeu a língua deles e conheceu seus costumes e sua cultura, e um dos frutos desse paciente trabalho foi um dicionário tuaregue-francês. Sonhava com irmãos que partilhassem a sua vida, mas até o fim viveu sozinho. Na noite de 1º de dezembro de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, agressores cercaram a sua casa. Durante o saque, irmão Carlos foi morto por um tiro.
Bento XVI inscreveu Charles de Foucauld entre os beatos em 13 de novembro de 2005, e o papa Francisco o canonizou em 15 de maio de 2022 na praça de São Pedro. A sua família espiritual é formada hoje por congregações religiosas, institutos seculares e associações de fiéis surgidos depois de sua morte, entre eles os Irmãozinhos de Jesus e as Irmãzinhas de Jesus.