
Santos André Dung-Lac e companheiros
Mártires, bispos, presbíteros e leigos, padroeiros da Igreja no Vietnã
Os santos André Dung-Lac e companheiros são 117 mártires que, entre 1745 e 1862, deram a vida por Cristo no Tonquim, no Anam e na Cochinchina, isto é, nas terras do atual Vietnã. Entre eles há 8 bispos, 50 sacerdotes e 59 fiéis leigos. A Igreja os recorda juntos em 24 de novembro.
O Evangelho era anunciado no Vietnã desde o século XVI. Nos três séculos seguintes, os soberanos do país proibiram repetidas vezes a fé cristã: de 1645 a 1886 foram promulgados contra ela 53 editos, e o número de vítimas é estimado em cerca de 130 mil. Exigia-se dos fiéis que pisassem a cruz em sinal de apostasia. Os mártires preferiram o exílio, a prisão, a tortura e a morte. Nada menos que 108 dos 117 santos morreram no século XIX, sob os imperadores Minh Mang e Tu Duc.
Entre os canonizados há 96 vietnamitas, 11 dominicanos espanhóis e 10 franceses da Sociedade de Missões Estrangeiras de Paris. Os leigos eram, em sua maioria, pais de família, e ao lado deles catequistas, um seminarista e uma única mulher, Inês Le Thi Thanh, mãe de seis filhos. Setenta e cinco mártires foram decapitados e 22 estrangulados; os demais foram queimados vivos, morreram em consequência das mutilações ou faleceram na prisão por causa das torturas.
André Dung-Lac, cujo nome abre a lista, nasceu por volta de 1795. Seus pais eram pagãos e viviam em extrema pobreza. Ainda criança foi confiado a um catequista, recebeu o batismo, se tornou ele mesmo catequista e, em 1823, sacerdote. Foi pároco e missionário em diversas localidades. Mais de uma vez foi preso, e os fiéis pagaram seu resgate. Para se esconder, adotou o nome Lac. Costumava dizer que quem morre pela fé sobe ao céu.
Em 1839 foi preso junto com o padre Pedro Truong Van Thi, a quem tinha ido procurar para se confessar. Ambos se recusaram a pisar a cruz e, em 21 de dezembro de 1839, foram decapitados em Hanói. Outro dos mártires, o sacerdote Paulo Le-Bao-Tinh, escrevia da prisão que, em meio aos tormentos, estava, pela graça de Deus, cheio de alegria, porque não estava sozinho: Cristo estava com ele. Bento XVI citou essa carta na encíclica Spe salvi.
Os mártires foram beatificados em quatro grupos: Leão XIII beatificou 64 deles em 1900, Pio X oito em 1906 e vinte em 1909, e Pio XII vinte e cinco em 1951. João Paulo II canonizou todos juntos em 19 de junho de 1988, na praça de São Pedro. Foi então a canonização mais numerosa da história da Igreja. A memória comum cai em 24 de novembro, dia em que três deles morreram em 1838: o bispo Pedro Dumoulin-Borie e os sacerdotes Pedro Vo Dang Khoa e Vicente Nguyen The Diem.
Em 1990 João Paulo II proclamou os santos mártires padroeiros da Igreja no Vietnã. Na homilia da canonização, recordou o antigo dito de que o sangue dos mártires é semente de cristãos e disse aos católicos vietnamitas que ele é para eles uma fonte de graça para progredir na fé.