
Santo Elzeário de Sabran
Leigo · † 1323
Conde de Ariano, esposo da beata Delfina, conselheiro do duque da Calábria
Santo Elzeário de Sabran foi um nobre provençal, conde de Ariano no Reino de Nápoles, conselheiro e diplomata na corte angevina. Junto com sua esposa, a beata Delfina, guardou a castidade durante todo o casamento. A Igreja o recorda em 27 de setembro, dia de sua morte.
Nasceu em 1285 ou 1286 em Robians, na Provença, perto do castelo de Ansouis, na poderosa família Sabran. Cresceu sob os cuidados de seu tio, Guilherme de Sabran, abade do mosteiro de São Vítor, em Marselha. Por vontade do rei Carlos II de Anjou, foi prometido ainda menino a Delfina de Glandèves, e por volta de 1300 os dois jovens se casaram. Delfina desejava permanecer virgem. Com o tempo Elzeário fez seu esse desejo, e em 1316 ambos fizeram voto de castidade diante de um frade franciscano, continuando a viver juntos. A bula de canonização afirma, com base no testemunho de sua esposa e de seu confessor, que ele conservou a virgindade.
Com a morte do pai, Ermengaud de Sabran, Elzeário herdou o condado de Ariano. Os habitantes da cidade suportavam mal o domínio angevino e se rebelavam, e o novo conde os conquistou não pela dureza, mas pela paciência e pela mansidão. Em 1312 combateu em Roma no exército do rei Roberto de Anjou contra as tropas do imperador Henrique VII. Em seu testamento de 1317 pediu para ser sepultado com o hábito franciscano na igreja dos frades menores de Apt. A tradição franciscana o conta, como Delfina, entre os terciários, embora os documentos de seu tempo, inclusive o testamento, não o chamem de terciário.
Delfina juntou-se ao marido na Itália, e o casal viveu sobretudo em Nápoles, na corte do rei Roberto e da rainha Sancha. O rei encarregou Elzeário de assistir com seus conselhos o filho e herdeiro, o jovem Carlos, duque da Calábria. Segundo a bula de canonização, enquanto presidia o conselho do duque, Elzeário apoiava os pedidos dos pobres, de modo que todos o chamavam de advogado dos pobres. A mesma bula o descreve como um homem generoso na esmola, que muitas vezes servia pessoalmente os necessitados, não queria se vingar de nenhum adversário e jejuava durante todo o Advento e em todas as sextas-feiras.
Em 1323 partiu para a França como embaixador, para negociar o casamento do duque Carlos, que havia ficado viúvo, com Maria de Valois. Em Paris adoeceu de repente e gravemente, recebeu os sacramentos e morreu em 27 de setembro de 1323. Conforme sua vontade, foi sepultado na igreja dos franciscanos de Apt, onde logo começaram a ser relatados milagres e curas.
A pedido dos bispos, dos nobres e das cidades da Provença, o papa Clemente VI ordenou em 1351 uma investigação sobre sua vida e seus milagres; no processo, também Delfina prestou depoimento. Urbano V, que era afilhado de Elzeário, o inscreveu no catálogo dos santos em Roma em 15 de abril de 1369 e fixou sua festa em 27 de setembro. O papa morreu antes que a bula fosse redigida, por isso ela só foi promulgada por seu sucessor, Gregório XI, em Avignon, em 5 de janeiro de 1371. A beata Delfina tem sua própria memória em 26 de novembro.