Santo Afonso Rodriguez

Frade · † 1617

Irmão religioso, jesuíta, antes comerciante, esposo e pai

Santo Afonso Rodriguez foi um comerciante espanhol, esposo e pai, e depois de perder a família e os bens se tornou irmão religioso na Companhia de Jesus. Durante muitos anos exerceu o ofício de porteiro no colégio dos jesuítas de Palma de Maiorca. A Igreja o recorda em 31 de outubro.

Nasceu em Segóvia, em uma família de comerciantes de lã e de tecidos. O ano do seu nascimento não pode ser estabelecido com certeza: o Dicastério das Causas dos Santos indica 25 de julho de 1533, outras fontes os anos de 1531 ou 1532. Já na infância teve contato com os primeiros jesuítas. Segundo a tradição da ordem, são Pedro Fabro, companheiro de santo Inácio de Loyola, se hospedou na casa dos Rodriguez e preparou o menino para a primeira comunhão. Afonso começou os estudos no colégio dos jesuítas de Alcalá, mas depois da morte do pai teve de voltar para casa e assumir o comércio da família.

Casou-se com María Suárez e teve filhos. Em poucos anos perdeu tudo: morreu a esposa, morreram os filhos e o negócio faliu. Esses golpes o voltaram para a oração e a penitência. Quis entrar para os jesuítas, mas foi recusado por causa da idade, da saúde frágil e da falta de estudos. Não desistiu. Foi para Valência e tentou completar os estudos, e quando os examinadores se mostraram de novo contrários, o provincial o admitiu mesmo assim, convencido da sua santidade.

Entrou na Companhia de Jesus em janeiro de 1571 como irmão, quando tinha quase quarenta anos. Depois de seis meses de noviciado foi enviado ao colégio de Montesión, em Palma de Maiorca, onde permaneceu até a morte, durante quarenta e seis anos. Ali foi sacristão e porteiro. Em cada pessoa que chegava à porta queria ver o próprio Cristo. A tradição da ordem conservou as palavras com que respondia quando batiam: “Ya voy, Señor”, isto é, “Já vou, Senhor”.

O irmão sem estudos se tornou com o tempo conselheiro espiritual de muitas pessoas, dos seus confrades e dos que vinham à porta. Seu discípulo mais conhecido foi o jovem jesuíta Pedro Claver, que estudava filosofia em Palma. Afonso o encorajou a partir para as missões na América, onde Claver se tornou o apóstolo dos escravos trazidos da África. O próprio Afonso levava uma profunda vida de oração e teve experiências místicas. Por ordem do seu superior, ele as pôs por escrito a partir de 1604.

Passou os últimos anos doente. Morreu em Palma em 31 de outubro de 1617. Já em vida era tido como santo, e ao seu funeral compareceram o vice-rei e a nobreza da cidade.

O processo de canonização foi aberto pouco depois da sua morte, mas a expulsão dos jesuítas da Espanha e a supressão da ordem o interromperam por muito tempo. O papa Leão XII o beatificou em 1825 e Leão XIII o canonizou em 15 de janeiro de 1888, junto com os santos Pedro Claver e João Berchmans. Os jesuítas o veneram como padroeiro dos seus irmãos.