Santa Josefina Bakhita

Freira · † 1947

Virgem, irmã canossiana, escrava liberta originária do Sudão

Santa Josefina Bakhita era natural do Sudão. Quando criança, foi sequestrada e vendida como escrava; anos depois, recuperou a liberdade na Itália, recebeu o batismo e se tornou irmã canossiana. Passou mais de meio século de vida religiosa quase inteiramente em Schio, perto de Vicenza. A Igreja a recorda em 8 de fevereiro.

Nasceu em uma pequena aldeia de Darfur, no oeste do Sudão, por volta de 1869; ela mesma não sabia a data exata. Aos sete ou aos nove anos, foi sequestrada por traficantes de escravos. O susto foi tão grande que ela esqueceu o nome que os pais lhe haviam dado. Os sequestradores a chamaram de Bakhita, que significa “afortunada”.

Foi vendida várias vezes nos mercados de escravos de El Obeid e de Cartum. Bento XVI recordou na encíclica Spe salvi que, como escrava da mãe e da esposa de um general, ela era açoitada todos os dias até sangrar e levou no corpo 144 cicatrizes por toda a vida. Em Cartum, foi comprada pelo cônsul italiano Callisto Legnani. Na casa dele, pela primeira vez desde o sequestro, ninguém levantava o chicote contra ela. Quando o cônsul ia voltar para a Itália, ela lhe implorou que a levasse consigo.

Em Gênova, Legnani a deixou com a família de seu amigo Augusto Michieli, que morava em Zianigo, perto de Mirano, no norte da Itália. Ali Bakhita se tornou a babá da filha dos Michieli, Mimmina. Quando a senhora Michieli partiu para Suakin, no mar Vermelho, onde o marido administrava um hotel, a menina e sua babá foram confiadas às irmãs canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. Ali Bakhita conheceu Deus, a quem, como recordava, pressentia desde criança ao olhar para o sol, a lua e as estrelas. Em 9 de janeiro de 1890, recebeu das mãos do patriarca de Veneza o batismo, a crisma e a primeira comunhão e tomou o nome de Josefina.

Quando a senhora Michieli voltou da África para buscar a filha e Bakhita, esta se recusou firmemente a partir. Já era maior de idade, e a lei italiana lhe garantia a liberdade de escolha. Ficou com as canossianas, as Filhas da Caridade fundadas por santa Madalena de Canossa, e em 8 de dezembro de 1896 fez em Verona os votos religiosos. Na casa da congregação em Schio, trabalhou na cozinha, na sacristia e na portaria, costurava e bordava. Também viajou pela Itália para animar as pessoas à missão. No dialeto vêneto, chamava Deus de “el me Paron”, o meu Senhor. Os moradores de Schio a chamavam de “Madre Moretta”, a Mãe Morena.

Nos últimos anos, sofreu uma longa e dolorosa doença. A quem perguntava por sua saúde, respondia com um sorriso que estava como o Senhor queria. Morreu em Schio em 8 de fevereiro de 1947, cercada pelas irmãs, com o nome de Nossa Senhora nos lábios.

João Paulo II a beatificou em 17 de maio de 1992 e a canonizou em 1º de outubro de 2000, na Praça de São Pedro. Em fevereiro de 1993, durante sua viagem ao Sudão, celebrou em Cartum a missa em sua honra. Desde 2015, no dia de sua memória é celebrado o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas.