Beatas Mártires de Nowogródek
† 1943
Virgens e mártires, irmãs da Sagrada Família de Nazaré, oferecidas pelos presos
As Beatas Mártires de Nowogródek são onze irmãs da Congregação das Irmãs da Sagrada Família de Nazaré que, em 1943, ofereceram a vida pelos moradores presos de sua cidade e foram fuziladas pelos alemães. O Martirológio Romano as recorda em 1º de agosto, dia de sua morte; na Polônia, sua memória é celebrada em 4 de setembro.
A congregação foi fundada pela beata Franciszka Siedliska. Em Nowogródek, então no leste da Polônia e hoje na Bielorrússia, as irmãs ensinavam as crianças, visitavam os doentes e cuidavam da igreja da Transfiguração. A superiora era a irmã Maria Stella do Santíssimo Sacramento, Adela Mardosewicz. As irmãs tinham entre 26 e 54 anos.
Em 1939 o Exército Vermelho ocupou a cidade. As irmãs tiveram de deixar o hábito e perderam a casa e a escola, mas continuaram a se reunir todos os dias na igreja, a preparar as crianças para a Primeira Comunhão e a consolar as famílias dos deportados. Depois da chegada dos alemães, em 1941, voltaram para a casa e para o hábito, e a igreja que guardavam se tornou o apoio espiritual da cidade.
Em julho de 1943 a Gestapo prendeu cerca de 120 moradores de Nowogródek, entre eles muitos pais e mães de família. A irmã Maria Stella, expressando o pensamento da comunidade, disse: “Meu Deus, se é preciso o sacrifício da vida, que fuzilem antes a nós do que aqueles que têm família.” As irmãs estavam dispostas a dar a vida também pelo padre Aleksander Zienkiewicz, o único sacerdote da cidade, que corria perigo.
Ao entardecer de 31 de julho foram convocadas à delegacia. Não foram interrogadas nem acusadas de nada. Foram levadas para fora da cidade, mas ainda era dia e havia camponeses por perto, por isso foram trazidas de volta e trancadas num porão. Passaram a noite em oração. Ao amanhecer de 1º de agosto foram levadas a uma floresta a cerca de cinco quilômetros da cidade. Pediram que não lhes tirassem o hábito, ajoelharam-se para rezar, receberam a bênção da superiora e se despediram umas das outras. Foram mortas uma após a outra com um tiro na cabeça, junto a uma vala comum preparada de antemão.
Os moradores presos não foram fuzilados: alguns foram libertados e os demais, enviados a trabalhos forçados. O padre Zienkiewicz sobreviveu à guerra. De toda a comunidade, só se salvou a irmã Małgorzata Banaś, a quem a superiora tinha pedido que ficasse em casa e cuidasse da igreja. Em 1945 ela obteve permissão para exumar os corpos das irmãs e os sepultou junto à igreja, e daí em diante, até a morte, guardou a igreja e o túmulo delas; em 2021 o papa Francisco reconheceu suas virtudes heroicas. Os restos mortais das mártires repousam hoje na igreja da Transfiguração.
João Paulo II as beatificou em 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, junto com outros 33 mártires, como os primeiros beatos do Ano Jubilar. Na homilia, perguntou onde essas mulheres encontraram forças para se entregar em troca da vida dos presos e as chamou de herança de toda a Igreja.